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Informativo CEA

06 de dezembro – Campanha do laço branco

05 12 2018

Revdo. Adriano Portela dos Santos

Desde 1991, por iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU), realiza-se em diversas partes do mundo a Campanha dos 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher, que vai de dia 25 de novembro a 10 de dezembro. Inicia-se em 25 de novembro, que é o Dia Internacional de Erradicação da Violência contra a mulher, no qual, desde 1981, as feministas latino-americanas fazem memória da morte das irmãs Mirabal, ativistas políticas, assassinadas na ditadura dominicana de Rafael Leónidas Trujillo. Encerra-se em 10 de dezembro, que é o Dia dos Direitos Humanos, cuja Declaração Universal foi promulgada nessa mesma data em 1948, pela ONU.

No Brasil, a Campanha dos 16 dias de ativismo estendeu-se para 21 dias de ativismo, dado que aproveita-se o Dia da Consciência Negra (20 de novembro), para ressaltar a face racista da violência cometida contra as mulheres em nosso país, uma vez que as mulheres negras, pelas estatísticas, estão mais expostas e são mais submetidas à violência que as demais mulheres brasileiras.

Toda a campanha é maravilhosa, mas estou aqui para falar de um dia específico da campanha, que é o dia 06 de dezembro, dia dedicado ao engajamento dos homens no combate à violência contra as mulheres. Em 06 de dezembro de 1989, Marc Lepine (25 anos) invadiu uma sala de aula da Escola Politécnica, na cidade de Montreal (Canadá), ordenou que os homens (cerca de 48) se retirasse, assassinou 14 mulheres com tiros à queima roupa, e depois se suicidou.

 A maneira como o crime aconteceu comoveu os homens canadenses a realizarem uma ação chamada Campanha do Laço Branco (White Ribbon Campaign), em que há a distribuição de laços brancos para sinalizarem a causa da não-violência contra as mulheres. Hoje, essa campanha já se espalhou pelo mundo, razão pela também nós a realizamos aqui no Brasil.

Sinto-me particularmente feliz em escrever sobre o assunto. Escrevo primeiramente para mim, que sou um homem a lutar contra a cultura em que nasci e que busca, de alguma forma, cooperar para que o mundo seja um lugar seguro às mulheres. Campanhas como essa são extremamente importantes porque reaviva a consciência de que as lutas não são ganhas simplesmente com uma distinção clara entre eles/elas e nós. É preciso haver uma visão de companheirismo em que @s outr@s não assumem o protagonismo de nossas causas, mas que também não precisam ser expurgad@s de nosso meio se desejarem somar forças na luta, apenas por serem parte do eles/elas. Nunca é contra sujeitos que lutamos precisamente, mas contra suas ideias e sua ordem de opressão. Há uma outra razão pela qual parece-nos extremamente importante o engajamento dos homens no combate à violência contra as mulheres: uma injustiça, em dada medida, não é prejudicial apenas para @s injustiçad@s. Estamos conectd@s e o que acontece a um/a tem repercussões sobre @ outr@.

É essa lição que nos ensina o Massacre de Montreal. A sobrevivência dos cerca de 48 homens ao massacre às custas da vida das mulheres faz morrer por dentro quem ainda vive por fora, faz surgir o sentimento de cumplicidade com o crime, de impotência diante da injustiça. E não foram atingidos somente os que foram retirados da sala, mas também as outras 14 pessoas que foram feridas fora da sala, das quais quatro eram homens. Esse fatídico episódio é muito ilustrativo para as lutas que temos a travar: ninguém está livre das consequências da injustiça.

Somos convidados, caros irmãos homens, a nos juntarmos no combate à violência contra as mulheres. Encarnemos o dito de Jesus: “Façam aos outros o que querem que eles façam a vocês; pois isso é o que querem dizer a Lei de Moisés e os ensinamentos dos Profetas” (Mt 7: 12 / NTLH). Todos nós desejamos estar seguros, ser protegidos, por isso, nos empenhemos para que nossas comunidades e nossos lares sejam espaços de proteção para as mulheres que conosco convivem, que elas saibam que podem contar conosco e sintam-se seguras.

Encontramos o exemplo em Jesus mesmo, quando levaram a sua presença a mulher pega em adultério (Jo 8). Já sabemos que a lei judaica autorizava o apedrejamento dessa mulher até a morte, mas Jesus pôs sob suspeita sua autoridade como Rabino e defender uma nova aplicação da Lei, para que aquela mulher tivesse sua vida ceifada. Aqui está uma coisa imprescindível de nos darmos conta, se quisermos nos juntas às mulheres no combate à violência sofrida por elas: temos que estar dispostos a abrirmos mãos de nosso status quo e de nos tornarmos suscetíveis à mesma violência que elege perversamente as mulheres como alvo.

Mas vale a pena, por isso, dia 06 de dezembro coloquemos os laços brancos sobre o nosso peito, falemos de sua importância por onde passarmos e cooperemos para que nossas igrejas estejam com e pelas nossas mulheres, sejam igrejas seguras.

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